UMA REFLEXÃO SOBRE O TERMO CIENCIAS NO CURSO DE CIENCIAS CONTABEIS
PDF

Palavras-chave

Ciências Contábeis
Contabilidade
Sociais Aplicadas
Educação e Bacharel

Como Citar

Santos , A. M. de J. ., & Nunes, R. M. da C. . (2022). UMA REFLEXÃO SOBRE O TERMO CIENCIAS NO CURSO DE CIENCIAS CONTABEIS. Revista Contemporânea, 2(5), 537–558. https://doi.org/10.56083/RCV2N5-002

Resumo

Problematização: A questão que a pesquisa busca propor uma reflexão é: o uso do termo ciências no curso de contabilidade é uma falácia ou realidade, no que diz respeito ao conceito de ciências? Tem como Objetivo geral propor uma reflexão sobre a utilização do termo “ciências” no curso de Ciências Contábeis, se este os cursos buscam formar cientistas (pesquisadores) ou tecnocratas. Objetivos especificos:  Realizar revisão bibliográfica no que tange ao conceito do que seja ciência e histórico do curso de ciências contábeis no Brasil. Comparar os nomes do curso nas américas e na europa e verificar se consta o termo ciências ou similar. Verificar e comparar as ementas e matrizes curriculares do curso na região do Vale do Aço e a Distriz Curricular do mec, buscando relativizar o número de horas de disciplinas que correspondem ao aspecto cientifico do curso. Metodologia Trata-se de uma pesquisa pesquisa descritiva, histórica, documental, qualitativa e pesquisa básica pura. A base teórica desta pesquisa envolve trabalhos científicos de três eixos: Epistemologia; análise da composição curricular e história do curso de Ciências Contábeis no Brasil. Apresenta resumo da evolução do curso no Brasil de 1945 a 2021; comparação entre as matrizes curriculares na região do Vale do Aço. Pesquisa exploratória na internet, buscador GoogleAacademic para localizar instituições de ensino superior que ministre o curso de contabilidade em alguns países do mundo, tendo como referências: França (local onde a contabilidade foi reconhecida como ciência); Itália (local onde surgiram as principais correntes epistemológicas de contabilidade; Estados Unidos (corrente epistemologia norte- americana, foco na auditoria); Argentina (País sul-americano de língua latina); Portugal (País europeu de língua portuguesa), objetivando verificar o nome do curso e o relacionar com a nomenclatura brasileira. Realizou-se revisao bibliográfica com os temas ciência e a história do curso de contabilidade no Brasil. Para identificar se de fato o curso apresenta conteúdos que o qualifiquem como ciências foram comparadas as ementas dos cursos presenciais e à distância na região do Vale do Aço e as diretrizes curriculares previstas na Resolução CNE/CES nº 10, de 16 de dezembro de 2004 do MEC. Resultado: Somente o Brasil, até onde foi possível avançar a pesquisa, utiliza o termo Ciências no curso de bacharelado de ciências contábeis. Tanto a diretriz curricular elaborada pelo MEC, como as matrizes utilizadas apresentam menos de vinte por cento de disciplinas relacionadas a pesquisa e ciência. Conclusão: A pesquisa permite inferir que o uso do termo Ciências no curso de Ciências Contábeis é uma falácia, ainda mais que os demais cursos de ciências sociais aplicacada (direito e administração) não utilizam o termo. 

 

https://doi.org/10.56083/RCV2N5-002
PDF

Referências

Bachelard, G. (2000). O novo espírito científico. Rio de Janeiro: Tempo Besta, F. (1922). La ragioneria. W. ed. Molão: Francisxo Vallardi

BRASIL. Lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6404/76, e da Lei 6.385 de 7 de dezembro de 1976, e estabelece às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de Demonstrações Financeiras.

Carqueja; H. O. (2003). Do Saber da Profissão às Doutrinas da Academia; separata anexa à

Revista de Contabilidade e Comércio, vol LIX, nr. 234/235, pág.s 144.

Chalmers, A. F. (1993). O que é ciência afinal? Tradução: Raul Filker. São Paulo: Editora Brasiliense.

Conselho Nacional de Educação Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES 10, de 16 de dezembro de 2004. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, e dá outras providências.

Chaui, M. Introdução à História da Filosofia - dos pré-socráticos a Aristóteles, Volume 1, São Paulo, Cia. das Letras, 2002.

D`Auria, F. (1956). Contabilidade Geral (Teoria da Contabilidade Patrimonial). São Paulo: Companhia Editora nacional.

Durkeim, É. (2007). As Regras do Método Sociológico, Tradução: Paulo Neves. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes.

Filho, J. M. P.; Pereira, C. A. (2007). Normatização Contábil: fator de transparência e fidelidade da informação (Trabalho Classificado no Prêmio Internacional de Produção Científica Antônio Lopes de Sá). V Convenção de Contabilidade de Minas Gerais. 17 a 19 de outubro. Belo Horizonte, Anais, CRC-MG.

Follari, R. (2000). La ciencia como real maravilloso. Epistemología y Sociedad. Rosario: Homo Sapiens.

Iudícibus, S. (1998). Contabilidade Gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas.

Kuhn, T. (1992). La estructura de las revoluciones científicas. Buenos Aires: FCE. Masi, V. (1943). La ragioneria come scienza del patrimonio. (2º ed.). Milano: CEDAM. Marion, J. C., & Robles Junior, A. (1998). A busca da qualidade no ensino superior de Contabilidade no Brasil. Contabilidade Vista & Revista, 9(3), 13-24.

Morin, E. (2003). Ciência com consciência. Trad. Maria D. Alexandre e Maria Alice Sampaio Dória. 7. ed. rev. mod. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil

Peleias, I. R.; Silva, G. P.; Segreti, J. B. y Chirotto, A. R. (2007) Evolução do ensino da contabilidade no Brasil: Uma análise histórica. Revista Contabilidade Finanças. USP. São Paulo • Edição 30 Anos de Doutorado • p. 19 - 32 • Junho 2007

Popper, K. Em Busca de Um mundo Melhor. Trad. Mota M. São Paulo, Ed. Martins Fontes, 2006. .

Popper, K. (2014). Alógica da pesquisa científica. 2. ed. São Paulo: Cultrix.

Resolução CFC n 1.055/2005 de 7 de outubro de 2005. Cria o comitê de pronunciamentos contábeis – (CPC) e dá ouras providências. Publicado no Diário Oficial da União de 24 de outubro de 2005

RESOLUÇÃO CFC Nº 1.156/09 13 de fevereiro de 2009. Dispõe sobre a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Publicada no Diário Oficial da União de 17 de fevereiro de 2009.

Sá, A. L. (1953). Filosofia da Contabilidade. Rio de Janeiro: Editora Aurora.

Sá, A. L. (1961). História da Contabilidade. Belo Horizonte: Ed. Presidente.

Sá, A. L. (2008). Teoria da Contabilidade. São Paulo: Ed. Atlas S/A.

Schmidt, P.; Santos, J. L. (2008). História da Contabilidade: Foco na evolução do pensamento contábil. (1ª. ed.) São Paulo: Atlas.

Silva, R. A. C. (2009). Evolução doutrinária da contabilidade – epistemolgia do principio patrimonial. Curitiba: Juruá.

Soares, M. & Scarpin, J. E. (2010). A convergência da contabilidade pública nacional às normas internacionais e os impactos na aplicação da DRE na administração direta. Revista Catarinense da Ciência Contábil, 9(27), p. 25-42.

Soares, S. V.; Richartz, F.; Voss, B. L. y; Freitas, C. L. (2011). Evolução do currículo de Contabilidade no Brasil desde 1809 Revista Catarinense da Ciência Contábil – CRCSC – Florianópolis, v. 10, n. 30, p. 27-42, ago./nov.. 2011

i A região do vale do aço e composta pelas cidades mineiras, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Timoteo e Santana do Paraiso,e foi criada pela Lei Complementar nº 90, de 12 de janeiro de 2006. Recapiturado de http://fnembrasil.org/regiao-metropolitana-do-vale-do-aco-mg/

ii A RESOLUÇÃO CFC Nº 1.156 DE 13.02.2009, fora revogada Revogada pela Resolução CFC 1.298/2010 em 17 de setembro de 2010. Porém, a nova resolução em nada avança a questão cientifica da contabilidade e busca realizar alguns ajustes para atender a norma internacional no que tange a legislação brasileira. O que é aplicada até hoje nas faculdades.

iii Os autores utilizam como referência o ano de 1809, como inicio das aulas de comércio no Brasil, no qual continua disciplinas sobre contabilidade. A nossa pesquisa utiliza como referência o ano de 1945, que se instituiu o curso de Ciências Contábeis e Atuariais, uma vez que o nosso objetivo é uma reflexão do termo Ciências no curso de Ciências Contábeis.

iv http://emec.mec.gov.br/

v Chaui, 2002